domingo, 13 de maio de 2018

10 anos desde a ultima vez.

Hoje acordei e percebi que esse ano fazem 10 anos, 10 anos desde que suas mãos imundas e calejadas me tocaram pela ultima vez, 17 desde que tocaram aquela inocente criança que eu fora um dia, pela primeira.
 10 anos e ainda me lembro das sensações de medo paralisante, de nojo do meu próprio corpo, ainda me lembro da sua respiração ofegante perto da minha orelha dizendo o que eu jamais vou esquecer, lembro do brilho doentio de seus olhos e do sorriso ao ver meu rosto se contorcendo em dor. 
 Esses foram os melhores e os piores 10 anos da minha vida, eu cresci, cresci de todas as formas que poderia, mas ir deitar a noite sabendo que era mais um dia na minha vida que suas mãos não me tocaram era maravilhoso. Porém ao mesmo tempo eu acordava de manhã com medo de te ver parado na porta da minha casa apenas esperando para me encontrar sozinha, com medo de atender o telefone e ouvir a sua voz irônica e sádica dizendo que sente saudades (como realmente acontecia!), acordava todos os dias da manhã com um medo que me prendia na cama sem saber o que fazer, as lágrimas de me sentir impotente descendo pelo rosto e corpo e de certa forma lavando o que restou, de você, de mim. 
 Todos os dias não saber em quem confiar, entrar em depressão, afastar todos meus amigos, me trancar no quarto e rezar, rezar para um deus que nem mesmo acredito, não mais, porém rezar com todas as minhas forças para que eu não acordasse pela manhã. 
 O medo de te encontrar ao sair de casa ainda me paralisa, ainda rezo a noite para não acordar pela manhã, ainda tenho crises de depressão que criam de ansiedade (ou vice e versa) e ainda não sei em quem confiar, ainda sinto suas mãos em mim e ainda escuto sua voz me ameaçando, me diminuindo, me transformando nesse poço de angustia que sou hoje.
 Mas ao menos, posso ir dormir sabendo que é mais um dia que suas mãos não encostaram em mim.

Para ela.

Hoje eu só tenho a agradecer tudo o que você me faz, desde o início era meio óbvio que meu sorriso, meu riso eram pra ti, por ti, que meu coração batendo clamava o seu, de inicio ao ir dormir, querendo dormir encostado no teu, com o tempo passando ele resolveu bater rápido em momentos tão aleatórios do meu dia que achei que poderia morrer (de tão rápido que ele batia por ti, e depois eu não o sentia mais), e então percebi que meu peito vivia em agonia, vivia apertado, rápido, e só quando eu te via ele acalmava (depois de um tempo ao seu lado).
 Tenho muito agradecer pelas oportunidades que você tem me dado de conhecer pessoas novas e interessantes, de criar uma nova eu, uma eu que é mais corajosa e mais de mim do que eu era antes, de conhecer a cidade que tanto sonhei em morar, de poder ter uma família que eu possa contar, que eu possa brincar e também conversar. Mas principalmente tenho a agradecer a oportunidade que você me deu de poder amar de novo, sem medo, sem paranóias, sem dor.
 Eu sei que eu não consigo ainda te amar sem todas essas coisas, mas aos poucos você tem me dado a coisa que eu sempre temi, esperança. Esperança de que um dia isso vá sumir, vá me machucar menos do que agora e esperança de um futuro, com você ao meu lado, com nossos filhos, nossos gatos e cachorros, em uma cidade onde no inverno podemos olhar pra fora e ver a neve (ou os prédios de SP mesmo!).
 Nunca em hipótese alguma, se esqueça que eu te amo, pois mesmo nos meus piores momentos, eu sei que meu coração ainda bate por ti.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Meu amor para ti.



 Amo as suas curvas, as curvas de seu sorriso, de seus seios, sua cintura e coxas, amo a curva de teu ombro, e como eu me encaixo perfeitamente nos teus braços. Tuas texturas, sua pele macia na minha, teu gosto, teu beijo, teu sexo.
 Amo tua risada e tua voz manhosa de sono, ou sua voz sexy tentando, e sempre conseguindo, me seduzir. Eu amo como você me tem nas mãos e nunca uso do poder. Amo como tudo fluiu tão naturalmente desde o primeiro dia, como me sinto segura e confortável ao teu lado.
 Amo como você sabe quando eu não estou bem, e amo que você sabe dos filmes bizarros que eu amo e ninguém conhece ou o nome de todas as músicas que eu pergunto, amo que você não me assusta no meio do filme de terror, e como fica irritada quando eu dou risada no meio do mesmo. 
 Amo nossos planos, por mais que me dê medo, eu amo como planejamos nosso casamento, amo nossa futura casa, e nossos talvez futuros filhos. Amo fechar os olhos e nos ver daqui dez anos na cama com uma criança entre nós. 
 Guria, eu amo você. 
 Eu amo nossa playlist, eu amo teu perfume nas minhas roupas, acordar e olhar para você dormindo, ou sentir você me olhando enquanto eu durmo, amo nossas aventuras na cozinha (todas elas!) e nossas conversas profundas.
 Eu amo que até os moradores de rua já haviam previsto que iriamos ficar juntas, eu amo que até ele sabia naquele dia o quanto eu estava apaixonada por ti, mesmo eu não querendo admitir pra mim mesma.
 Eu amo você guria, eu amo você por inteira. Nunca em sua vida duvide disso, nunca duvide de meus sonhos com você, mesmo que eu diga não, guria, você é o que eu vejo no meu futuro.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Lar.

 Eu fiz de casa o que conseguia, por um tempo minha casa foi um ponto de um ônibus, um banco na praça, uma série salva no pendrive.
Por um tempo maior minha casa se escondia nas páginas amareladas de um livro, não vou negar ainda me sinto em casa toda vez que o leio, me sinto amada e livre pra amar.
Mas tudo mudou, aquelas páginas não me abrigavam por inteiro, estava pequeno demais, e descobri que conseguia me sentir em casa, que havia encontrado meu lar, duas vezes.
A primeira foi naqueles braços que por tanto tempo eu senti saudades, com ela não preciso de nada, se entro naquele abraço eu sei que cheguei em casa. Sei que ficarei bem, mesmo que por um instante, tudo passa.
Meu segundo lar, eu encontrei sem um endereço fixo, encontrei vagando de calcinha por um apartamento emprestado, meu segundo lar eu encontrei as seis da manhã, deitada ao meu lado com pequenas conversas, meu segundo lar, se fez em você.
Se fez na rosa que guardo provisoriamente em uma lata de coca-cola na frente do sofá onde durmo, meu lar é qualquer lugar que eu sinta teu perfume em minhas roupas, ou o meu sorriso no meio da rua ao lembrar de coisas que você disse, de coisas que você fez.
Descobri que meu lar não é um teto, meu lar é um horário, um número. Meu lar é uma frase, é a curva do teu sorriso.
Fiz do meu lar, o que eu pude, mas descobri que meu lar é você!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Texto #24 (Das Infinitas explicações que não consigo dar)

Eu gostaria de explicar o que está acontecendo, gostaria de explicar como foi que tudo chegou onde chegou, e explicar onde é esse lugar em que vim parar, mas eu não posso.
Eu não sei o que está acontecendo, onde estou e como vim parar aqui, mas sinto que te devo isso, te devo uma explicação, explicar pq todos aqueles sonhos de uma vida juntas não ser algo que eu possa fazer, não mais.
Sinto que eu te devo uma explicação, do motivo pelo qual nossos beijos não saíram, eu gostaria muito de te explicar. Mas eu não entendo.
Não entendo o que está acontecendo, uma hora éramos apenas duas gurias curtindo o tempo juntas, assistindo a séries e passeando por uma cidade, e no outro, era três horas da manhã e saudade apertava, a vontade de ficar juntas crescia e já não era algo unilateral.
Não entendo como assim tão de repente, eu não consigo me ver com outra pessoa que não ela, e não entendo como ela, assim tão de repente passou a me dizer coisas que apertam meu peito.
Eu queria explicar como tudo isso mudou, queria muito. Mas não consigo. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O favorito dela.


Quero pegar em sua mão e gritar para todos.  Não quero esconder que você me faz bem, não quero esconder meu sorriso, escolher as palavras, te mencionar como amiga.
Quero pegar em sua mão atravessar a multidão, levar nas festas e te apresentar pra família, quero ouvir meus amigos sussurrando com você que nunca me viram sorrir assim, quero te dar as sensações que você nem imaginava que queria sentir.
 Três da manhã e conversas na cama; quero discutir por estar com calor enquanto você está com frio, se a luz fica acesa ou apagada, discutir que eu quero dormir e você quer ver mais um episodio, ou discutir que você vai dormir e eu quero ver mais um episodio, correr para o banheiro as onze e meia e trancar a porta enquanto você me xinga do outro lado não querendo que nada saia do seu controle.
 Mas meu amor, tudo saiu do seu controle, não vê? Tudo saiu do meu controle também. Não era para ser assim, não era para eu estar escrevendo mais um texto sobre ti, não era para você estar me querendo com você, e cá estamos nós.
 Longe de nossos controles.
 Então pegue minha mão, veja como perder o controle vai te fazer bem, perca o controle comigo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

25 de Junho de 2017.

 Fazia tanto tempo que eu não parava pra ver as estrelas, mas naquele dia eu vi.
Tinha estrelas, conversas interrompidas, tinha o cheiro das árvores ainda com o orvalho, ou será que havia garoado? Tinha um brinquedo, daqueles em que você gira, gira, gira e gira e sai de lá tão tonta que nem lembra o porquê quis ir nele. Tinha coincidências e frases ditas, frases que já havíamos escutado sendo ditas. Frases que pensávamos quão perfeita que era para nós, porém  havia muito orgulho para alguém dizer primeiro.
E tinha uma carta, escrita à mão, às pressas em um ônibus balançando, tinha essa carta no bolso de trás da calça preta brilhando como um farol.
Uma carta, onde havia todas as coisas que eu queria dizer em voz alta, mas tinha medo das lágrimas me interromperem.
Mas acima de tudo, tinha você. Tinha suas mãos às vezes entrelaçada às minhas, às vezes me fazendo carinho. Outras vezes gesticulando brava com minhas esquivas.
Tinha você, falando sobre sentimentos que até então eu ignorava que eu tentava não acreditar serem reais.
Mas lá estávamos nós, sob um céu estrelado, um brinquedo que conforme girava mais rápido mais alta eram as risadas, uma carta brilhando como um farol em seu bolso de trás, o perfume das árvores, a brisa fresca batendo. Lá estávamos nós e tinha tantas conversas paralelas, tantas conversas interrompidas, com tantas coisas para ver, mas tudo que eu meus olhos queriam era gravar seus detalhes, guardar tudo para as noites de solidão que viriam.
Lá estávamos nós sob um céu estrelado e eu percebi que não adiantava mais mentir para mim, que não adiantava me segurar. Lá estávamos nós e eu percebi que meus sentimentos eram todos pra você, percebi que somos perfeitas uma para a outra.
E que você iria perceber isso um dia.